domingo, 29 de abril de 2012

I like brasileños


Um homem velho e, portanto, respeitoso levanta a sua cartola com o intuito de depositar um vintém. Seu fraque velho e a falta de dinheiro mantêm a decadência de sua figura. Sua cabeleira grisalha e sua barbicha de bode não têm a imponência de antigamente. Outrora gostava de uma carnificina, no Vietnã, no Iraque... Ainda que não tenha abandonado completamente...
Agora, por ironia do destino, ou por tostões furados, vende camisas – com os dizeres: I love America! – em frente ao New York Stock Exchange, a NYSE, a deusa do capital, que mora em Wall Street. Depois que abriram as porteiras para o new rich latino americano, nunca o sonho americano custou tão barato, míseros cinco “dólar”, além de acolher duas pessoas dentro dele, é feito mother heart: sempre cabe mais uns...
– Comprem! Imperctível! Por apenas um dólar a mais ustedes podem levar esta linda “bolígrafa” nas cores dos states...
Nosotros gostar much dos brasileños. The pueblo compram muchas camisas de lembrança de my country. I like brasileños! Eles não olhar nem a etiqueta para ver que a camisa é made in Taiwan. É... hoy é tudo as ... as... plataformas de exportação. Ah! Eu não ter mais as meat em barril, só pólvora mesmo... No ser mais carnicero, ser mesmo armeiro, eu vender muitas armas pro world (a economia de my country girar em torno da war). Ahora a deusa NYSE não estar muito de nuestro lado, assim que world gira, sempre pendendo para um side... E o outro tomando sabe-se lá no lugar que os brasileiños chamam onde saem as shit, excrements (eu no saber o nome em portuguese, há anos que yo no treinava!).
Vendi muita arminha e canhãozinho para os kids, mas não é os cowboys do old oeste americano, são para as criancinhas brincar de arrancar a cabeça dos soldadinhos de chumbo (precisamos de ideologias!). Ahora tem que ir ganhar my breakfast, my pão! Adorar os brasilenõs, antes gostava mucho de bater neles, mas hoy eles são vips! Life is funny!

quinta-feira, 29 de março de 2012

O Bonde das loiras


Encontraram-se como de costume, os sete. Lembraram-se do filme Onze homens e um segredo, entretanto, no caso deles, eram seis segredos e um homem. É evidente que tantos segredos assim não são fáceis de se ocultar ao mesmo tempo, ainda mais quando este segredo é loiro e anda de salto alto a realizar compras por aí. Ele se despediu das comparsas e foi esperar no carro que estava na frente do condomínio de luxo.
Seu pseudônimo é Clyde e espera ansioso em seu ford  (um novo modelo, pois aquele que o verdadeiro, o Barrow, usava, no início do século XX, no meio oeste americano, não é mais fabricado e está muito difícil de conseguir. Logo, o ford do Clyde falso, tem os bigodes aparados ...). Enquanto esperava, ensaiava em seu retovisor caras diferentes, como se fossem máscaras, pensando que estava em um filme de Hollywood.
Nesse interim, o tempo fecha. Que merda!
No dia seguinte, Clyde esperava vestido de jaqueta marrom, estava receioso, pois logo hoje a Marylin não poderia comparecer devido à chuva de baba que seu cão tinha jogado em seu cabelo,  estragando, dessa forma, o seu penteado empapado de laquê. Após duas horas de espera, seu smarthphone vibra, Bonnie avisava por torpedo que a sua chapinha tinha ido para cucuia, fora a unha de esmalte suiço da Malévola que tinha quebrado, e que o furto de hoje tinha naufragado. Clyde fica furioso, da última vez tinha sido o salto da Susan que quebrou, agora a unha, valha-me Deus! Assim não se pode trabalhar... Ainda mais agora que tinha ensaiado em seu retovisor todo seu repertório de caras adquiridas pelos filmes de Hollywood.
Clyde vai para sua casa de praia junto com Bonnie, seu amor bandido, lá ele pensa que é o George Clooney, já que ele é o único homem com seus seis segredos. Levanta as sobrancelhas tenta fazer caras e bocas, lhe falta alguma coisa, o que será?  Ah! Já sei, um porquinho amarrado na coleira.
Como tudo não dura para sempre, eles são descobertos quando curtiam um final de semana na sua casa de praia. Clyde, não abandonando sua visão cinematográfica dos fatos, fala que resistirão até que seus pulmões lhes faltem, logo não iria se entregar facilmente. Enquanto pensava num fim triunfante, estilo velho oeste, Bonnie se entrega sem que ele perceba. Agora os dois vão viver um sonho de liberdade...

quinta-feira, 8 de março de 2012

Uncle Sam contra o Irã


Uncle Sam chamou todos os seus comparsas para a reunião no Pontógono (antigamente era conhecido como Pentágono, mas como eles nunca saem do mesmo ponto...). Uncle Sam estava vestido como de costume, cartola e fraque nas cores do seu country. Ao seu redor se encontravam seus assessores da guerra: mister Killer e Hylárya Píton.
– Olá, lady and gentleman, convoquei os senhores para elaborar nossas estratégias para the war.
Ao ouvir essa palavra, mister Killer sentiu arrepios em sua espinha. Sir Killer também é conhecido popularmente como diabo, entretanto adotou uma nova aparência... Agora ele é de um tipo musculoso, mas sem chifres para evitar as piadinhas, como: lá vai o corno, o chifrudo! Sabe... A imagem estava demasiadamente gasta, ninguém mais se assusta com um tipo vermelho e de chifres rodando por aí, vão pensar que é carnaval fora de época e vão perguntar onde comprou o abadá e cantarão em coro as vogais de um axé fora de moda. Já o loiro musculoso de olhos azuis pode até passar por mocinho da história, ele já estava cansado de ser o malfeitor.
Men, vamos fazer a guerra contra o Irã, Síria... Vamos chupar o petróleo daquele Country como se bebe coca-cola no canudinho.
Hylárya Píton ficou vermelha e questionou como eles fariam isso. Uncle Sam respondeu que ele sempre tinha bombas escondidas na cartola (tão escondidas que até hoje procuram-nas no Iraque...). No mais, eles tinham El Diablo Ramadi, conhecido como a lenda (lenda às vezes lembra coisas boas, outras, desgraças), nas horas vagas trabalhava como o exterminador do futuro das pessoas. Para dominar o mundo eles iriam utilizar de todas as técnicas, como a utilização dos Drones (avião não tripulado) e alguns viciados em joguinhos maléficos. Uncle Sam falava entusiasmado todo o seu plano diabólico, com as verdinhas pingando no nariz (não o dólar, mas as secreções nasais advindas de uma gripe cachorrina na economia mundial).
Uncle Sam, Hylárya Píton e Mister Killer comemoram com a abertura de uma cidra (a recessão chegou até na casa white...). Logo estariam mijando em alguns cadáveres por aí, além, é claro, de sugar todo o petróleo que puder. 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

El Diablo Ramadi


      Meu name ser Mister Killer, em portuguesa ser senhor matador, mas no é pegador de mulher, eu não gostar de pular na pelada, adorar mesmo bacamarte, pistola e espingardas grandes e chupar picolé itu a escorrer o leite no canto da boca. My name é my orgulho, representa meu country, que quer matar people em busca de money.

      Eu ser american man, ex-soldada Americana, gostar muito de matar, no gostar de amar. Amar é o sentir fraco dos men. Os fortes não amar, matar uns aos outros é ser forte. Eu ser mucho forte, ser o que os brasilenhos chama de burro... No, parrudo. Eu gostar de dar porrada no mundo ao mando de uncle Sam, tenho cartola nas cores de my mother North America. Eu também colecionar bibelôs nas cores de my country.

      Eu adorar o meu fazer na mission em Iraque. Só matar duzentas e vinte cinco pessoas, pois a vida americana valer mais do que da mulher com arma, no... alma distorcida. Lá, no Iraque, me chamar de El diablo Ramadi, por dizer que eu cheirar a sulphur, como é mesmo o nome em portuguesa? É... É essa mesmo... Enxofre. Mas eu não cheirar a enxofre, já passei até o dedo na rodela e não senti. É maldade dos homem, eu ser muito boazinho, nunca deixei uma bala no pente...

     Eu vou lançar livra... No, é libro, também não. Vai lançar my book a contar minha tática de guelra (isso não é fish?), ou melhor, minha catarse em matar as pessoa. My libro ser sucesso de vendas em todo mundo. Eu adorar ler Crepúsculo por eu ser inteligente, mas não conseguir escrever igual, pois eu não brilhar feito purpurina purple quando estar fazendo topless na praia. Meu livra vai ser bestseller, é muito boa igual Crepúsculo. Também eu vai ser ator, vou estrear como o Exterminador 6, pois o Arnold estar muito pelancudo, só servir agora para ser governador.

     ¡Hasta la vista!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

TUDO É POSSÍVEL?

     Dá para ficar assustadiço com as coisas que os homens inventam.... Leitor, não se assuste não! Inventando, eu digo por criar ilusões, não é uma arma nova no mercado não! Apesar, é claro, de terem inventado a bala que acerta sua trajetória no ar a mais de dois quilômetros de distância, mas isso é outra história.... Alguns senhores, por exemplo, afirmam que Deus abriu um centro de estética, logo você poderá comer aquela picanha gordurosa que é só rezar que perde seus quilinhos. Outro senhor diz para as senhoras que não é pecado chupar um pirulito de vez em quando, só não pode se melar com o melzinho (mas como? Abocanhou o canudo e agora vai ter que babar?).

     Imagine a cena. Deus com a sua barba longa e sedosa administrando a clínica de estética “corpo celeste”. A equipe médica, como dá para supor, seria composta por anjos e santos canonizados pela tradição, todos comandados pelo todo poderoso. Gabriel, Miguel e Rafael fariam a triagem dos pacientes, encaminhando-os para os santos que já têm a sua especialidade concretizada nas crenças das pessoas.

     – Miguel, encaminhe essa para o Dr. Expedito. Ela só está querendo perder dez quilos em apenas três minutos, como ele é PhD em causas impossíveis, talvez ele dê um jeitinho nela...

    – Essa daqui, Rafael, mande para o Dr. Jorge. Ele já está acostumado em enfrentar e espetar dragões mesmo.

    Rafael olha para o lado e se dá conta de um senhor que deseja erguer uma parte ínfima do seu corpo que há alguns anos anda adormecida.

    – E esse, Gabriel, o que faço com ele?

    – Ah, leve-o para o Dr. Benedito, ele sabe como erguer e fincar um mastro...

    Sigismunda negava-se a aceitar a anestesia de Adão, por que não de Eva? Não foi ela que fez o homem comer o fruto proibido e tornou-os meros mortais?

    Gabriel, vendo que Sigismunda atrapalhava a fila, que já estava maior do que a do SUS, encaminhou-a logo para atravessar o arco-íris...

    Como já existem clínicas de estéticas operando milagres nas gordurinhas indesejáveis, quem sabe algum dia nem precisemos mais ir a academia malhar para o carnaval, para a praia, ou até mesmo para ser um fisicultor, basta ir para a “Aleluia fitness” que seus músculos já saem “bombados”...

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Estante

      Queria de qualquer forma ser um vencedor. Apesar dos pesares acreditava que iria ser alguém importante. Quem sabe um dia o seu nome não seja dado a alguma rua, avenida, ou até mesmo um bairro? Sonhava com os seus dias de glória, mas, apesar de sonhar, era honesto, não iria passar a perna em ninguém. Por isso que seu nome não manchará de esquecimento nenhuma rua, só lhe resta um fim trágico, como a vida que é dramática e portuguesa (não sei para quê tantas besteiras).

     Como todo dia acordou cedo, às quatro horas, a fim de trabalhar nos seus escritos. Riscou o fósforo para acender a vela que roubou do cruzeiro do cemitério, no Brasil todo dia é dia das almas, vela nunca iria lhe faltar. Tinham lhe cortado a luz, assim como a água. Gás ele não precisava, já que não tinha nada para cozer. Quando a sua fome apertava, ele procurava comida nos sacos de lixo, restos de comida estragada que seus vizinhos jogavam fora. Estes, por sua vez, passaram a não jogar mais os restos no lixo, queriam que ele definhasse que morresse com falência múltipla de órgãos, seria ótimo para as suas vidinhas vazias.

     Mesmo com o seu toco de vela e a fome apertando-lhe as entranhas foi escrever. Gastou três folhas numa estúpida estória de amor. Rasgou as folhas. Lembrou que seu último lançamento fora um fracasso. O que será que acontecia? Ele era um misto de Kafka, Machado e Rosa (como é possível?!). Ninguém o lê. Ficou ali quase em estado de putrefação.

    Saiu pelas ruas. Todos queriam-lhe em suas estantes. Como em revolta os vizinhos avançaram em cima de seu corpo magrelo, feito bestas insaciáveis para lerem as linhas de seu corpo, arrancam-lhe os membros, em um sinal de regozijo religioso.

    Miss Fiesguer pegou a parte que lhe cabia. Ávida pegou o membro desfalecido em suas mãos, chupou feito pirulito (lembrem-se que não é pecado, diz o senhor Pastor) e levou para sua casa, parecia que tinha vida própria, pois intumesceu, e túrgido a cara senhora enfiou o nabo entre as suas pernas enquanto tocava a nona sinfonia de Beethoven em seu piano alemão, estremecendo de gozo e satisfação.

   No final Sigismunda segurava a cabeça (parte alta do corpo, é claro, Miss Fiesguer nunca abrirá mão, ou os lábios, para deixar a cabeça grotesca solta por aí, pois sonhava com algo duro em sua vida há tempos) e perguntava-se com o seu bafo de barata:

   – Despersonalizou-se? Arrancando-lhe um beijo de seus beiços frigidos pela frieza da morte.

   Neste momento observava-se um sorriso maroto nos lábios de seu crânio, afinal morrera sorrindo, não sabia que era tão amado.