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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

El Diablo Ramadi


      Meu name ser Mister Killer, em portuguesa ser senhor matador, mas no é pegador de mulher, eu não gostar de pular na pelada, adorar mesmo bacamarte, pistola e espingardas grandes e chupar picolé itu a escorrer o leite no canto da boca. My name é my orgulho, representa meu country, que quer matar people em busca de money.

      Eu ser american man, ex-soldada Americana, gostar muito de matar, no gostar de amar. Amar é o sentir fraco dos men. Os fortes não amar, matar uns aos outros é ser forte. Eu ser mucho forte, ser o que os brasilenhos chama de burro... No, parrudo. Eu gostar de dar porrada no mundo ao mando de uncle Sam, tenho cartola nas cores de my mother North America. Eu também colecionar bibelôs nas cores de my country.

      Eu adorar o meu fazer na mission em Iraque. Só matar duzentas e vinte cinco pessoas, pois a vida americana valer mais do que da mulher com arma, no... alma distorcida. Lá, no Iraque, me chamar de El diablo Ramadi, por dizer que eu cheirar a sulphur, como é mesmo o nome em portuguesa? É... É essa mesmo... Enxofre. Mas eu não cheirar a enxofre, já passei até o dedo na rodela e não senti. É maldade dos homem, eu ser muito boazinho, nunca deixei uma bala no pente...

     Eu vou lançar livra... No, é libro, também não. Vai lançar my book a contar minha tática de guelra (isso não é fish?), ou melhor, minha catarse em matar as pessoa. My libro ser sucesso de vendas em todo mundo. Eu adorar ler Crepúsculo por eu ser inteligente, mas não conseguir escrever igual, pois eu não brilhar feito purpurina purple quando estar fazendo topless na praia. Meu livra vai ser bestseller, é muito boa igual Crepúsculo. Também eu vai ser ator, vou estrear como o Exterminador 6, pois o Arnold estar muito pelancudo, só servir agora para ser governador.

     ¡Hasta la vista!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

TUDO É POSSÍVEL?

     Dá para ficar assustadiço com as coisas que os homens inventam.... Leitor, não se assuste não! Inventando, eu digo por criar ilusões, não é uma arma nova no mercado não! Apesar, é claro, de terem inventado a bala que acerta sua trajetória no ar a mais de dois quilômetros de distância, mas isso é outra história.... Alguns senhores, por exemplo, afirmam que Deus abriu um centro de estética, logo você poderá comer aquela picanha gordurosa que é só rezar que perde seus quilinhos. Outro senhor diz para as senhoras que não é pecado chupar um pirulito de vez em quando, só não pode se melar com o melzinho (mas como? Abocanhou o canudo e agora vai ter que babar?).

     Imagine a cena. Deus com a sua barba longa e sedosa administrando a clínica de estética “corpo celeste”. A equipe médica, como dá para supor, seria composta por anjos e santos canonizados pela tradição, todos comandados pelo todo poderoso. Gabriel, Miguel e Rafael fariam a triagem dos pacientes, encaminhando-os para os santos que já têm a sua especialidade concretizada nas crenças das pessoas.

     – Miguel, encaminhe essa para o Dr. Expedito. Ela só está querendo perder dez quilos em apenas três minutos, como ele é PhD em causas impossíveis, talvez ele dê um jeitinho nela...

    – Essa daqui, Rafael, mande para o Dr. Jorge. Ele já está acostumado em enfrentar e espetar dragões mesmo.

    Rafael olha para o lado e se dá conta de um senhor que deseja erguer uma parte ínfima do seu corpo que há alguns anos anda adormecida.

    – E esse, Gabriel, o que faço com ele?

    – Ah, leve-o para o Dr. Benedito, ele sabe como erguer e fincar um mastro...

    Sigismunda negava-se a aceitar a anestesia de Adão, por que não de Eva? Não foi ela que fez o homem comer o fruto proibido e tornou-os meros mortais?

    Gabriel, vendo que Sigismunda atrapalhava a fila, que já estava maior do que a do SUS, encaminhou-a logo para atravessar o arco-íris...

    Como já existem clínicas de estéticas operando milagres nas gordurinhas indesejáveis, quem sabe algum dia nem precisemos mais ir a academia malhar para o carnaval, para a praia, ou até mesmo para ser um fisicultor, basta ir para a “Aleluia fitness” que seus músculos já saem “bombados”...

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Estante

      Queria de qualquer forma ser um vencedor. Apesar dos pesares acreditava que iria ser alguém importante. Quem sabe um dia o seu nome não seja dado a alguma rua, avenida, ou até mesmo um bairro? Sonhava com os seus dias de glória, mas, apesar de sonhar, era honesto, não iria passar a perna em ninguém. Por isso que seu nome não manchará de esquecimento nenhuma rua, só lhe resta um fim trágico, como a vida que é dramática e portuguesa (não sei para quê tantas besteiras).

     Como todo dia acordou cedo, às quatro horas, a fim de trabalhar nos seus escritos. Riscou o fósforo para acender a vela que roubou do cruzeiro do cemitério, no Brasil todo dia é dia das almas, vela nunca iria lhe faltar. Tinham lhe cortado a luz, assim como a água. Gás ele não precisava, já que não tinha nada para cozer. Quando a sua fome apertava, ele procurava comida nos sacos de lixo, restos de comida estragada que seus vizinhos jogavam fora. Estes, por sua vez, passaram a não jogar mais os restos no lixo, queriam que ele definhasse que morresse com falência múltipla de órgãos, seria ótimo para as suas vidinhas vazias.

     Mesmo com o seu toco de vela e a fome apertando-lhe as entranhas foi escrever. Gastou três folhas numa estúpida estória de amor. Rasgou as folhas. Lembrou que seu último lançamento fora um fracasso. O que será que acontecia? Ele era um misto de Kafka, Machado e Rosa (como é possível?!). Ninguém o lê. Ficou ali quase em estado de putrefação.

    Saiu pelas ruas. Todos queriam-lhe em suas estantes. Como em revolta os vizinhos avançaram em cima de seu corpo magrelo, feito bestas insaciáveis para lerem as linhas de seu corpo, arrancam-lhe os membros, em um sinal de regozijo religioso.

    Miss Fiesguer pegou a parte que lhe cabia. Ávida pegou o membro desfalecido em suas mãos, chupou feito pirulito (lembrem-se que não é pecado, diz o senhor Pastor) e levou para sua casa, parecia que tinha vida própria, pois intumesceu, e túrgido a cara senhora enfiou o nabo entre as suas pernas enquanto tocava a nona sinfonia de Beethoven em seu piano alemão, estremecendo de gozo e satisfação.

   No final Sigismunda segurava a cabeça (parte alta do corpo, é claro, Miss Fiesguer nunca abrirá mão, ou os lábios, para deixar a cabeça grotesca solta por aí, pois sonhava com algo duro em sua vida há tempos) e perguntava-se com o seu bafo de barata:

   – Despersonalizou-se? Arrancando-lhe um beijo de seus beiços frigidos pela frieza da morte.

   Neste momento observava-se um sorriso maroto nos lábios de seu crânio, afinal morrera sorrindo, não sabia que era tão amado.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Réveillon

     Mais um ano... Novas perspectivas (ou a falta delas). Dia de confraternização, de cidra, farofa, frango e maresia. Este é o réveillon, o dia em que a gente pensa que tudo vai dar certo, apesar das desgraças da vida. Momento em que pensamos que teremos um futuro melhor, apesar das trinta e seis parcelas do carro novo e do financiamento da casa própria, suaves prestações divididas em vinte cinco anos. Fora o vídeo game de última geração que você comprou no cartão para os meninos de presente de natal e que só pagará em Janeiro. Além de que as cidras com farofa e frango, deglutidas juntamente com a areia mijada da praia, são  resultado do corte de gasto imposto pelas dívidas na tentativa de ter um futuro melhor.

     Apesar de tudo, você não desiste, tudo depende de como você virar o ano. Leu em uma revista (uma dessas revistas idiotas que sua mulher lê) que se você virar o ano com a cueca da cor amarela, passará o ano com o bolso cheio de dinheiro. Abre a gaveta, só tem preta, amarela não tem. Outra vez o cartão para comprar a maldita cueca amarela e pra pagar só em Janeiro.

    Coloca a cueca, antes, porém, toma banho de arruda com sal grosso para evitar mal olhado. Lembra-se de colocar cinquenta reais no bolso da bermuda, assim, passará o ano todo com dinheiro. Pula as ondinhas como de costume e espera a contagem regressiva para a virada de ano. Tudo estava correndo bem, até passaram a mão na sua bunda... Tô até gostoso (isso porque a barriga está grande). Cinco. Quatro. Três. Dois. Um. Virou.

    – Pô! Cadê meu cinquenta pila?

sábado, 24 de dezembro de 2011

NATAL

     Natal. Confraternização, família toda reunida em volta do peru que é o protagonista de toda a celebração da custosa ceia. Também pudera! Depois da vaquinha realizada por toda a família para adquiri-lo, todos querem pôr a mão no peru! Os olhos estão cheios de esperança na espera de um país melhor (claro! O leitor ainda acredita em papai Noel... Abestados! Criaturas que ainda penduram meias cheias de chulé na esperança que apareça notas de cem dólares, euros e o suado real. Antes dependurasse cuecas nas câmaras, lá o natal é sempre gordo).

     Os olhos percorrem do peru ao relógio. E essa meia noite que não chega! Pô! Tô na maior larica! To querendo comer esse peru e a farofa! Diz a filha adolescente. Os pais recriminam, falar assim no natal não, né?

     Enfim soam as doze badaladas e a família faminta avança desabestada em cima da vítima. Em apenas alguns minutos sobram apenas os ossos (restos mortais ou comensais?), obra digna de um aluno de anatomia peruana (?). Depois que o bucho tá cheio, todos correm para a mirrada árvore de natal para ver os presentes (a verdadeira essência cultuada no natal em nossos). Os gêmeos de dez anos (que não acreditam mais em papai Noel) olham odiosas para o carrinho de plástico. A filha adolescente ganhou calcinhas baratas para usar o ano inteiro. O pai, como o chefe da família, ganha meias novas para trocar aquela fedida que não sai de seu sapato. A mulher, como manda o figurino, ganha pratos.

     Todos vão para frente da tv assistir o “maravilhoso” especial de natal, odiando-se mutuamente. Êta espírito natalino...